Lembro perfeitamente da sensação quando trabalhei
em creche-escola e começava uma adaptação nova. Era um sofrimento! Sofriam
todos! Pai, filho e no meu caso, estagiária.
Naquela época pensava muito no sofrimento da criança e não pensava na
batalha interna que os pais travavam para deixar os filhos nas mãos de
desconhecidos.
Após certo tempo, você começa a entender que deixar
um filho na escola não é lá um bicho de sete cabeças, você mesmo não foi para
escola um dia?! Pode até ser que naquela época você tenha entrado na escola um pouco mais tarde. Com toda essa vida
moderna, corrida e cheia de tecnologias os pais são obrigados a deixar os
filhos nas escolas cada vez mais cedo.
A escolha foi feita e a escola pesquisada a dedo,
ai entra o período de adaptação. A adaptação na creche-escola nada mais é que
um processo onde pais e filhos tem que se acostumar com uma nova rotina. A
criança que antes ficava sobe os cuidados da mãe/pai/avó em casa, passa pelo
processo de adaptação na nova rotina da creche-escola.
Foram
várias as vezes que participei de adaptações e a maioria delas eram mais voltadas
para os pais do que para a própria criança. Claro que as crianças choravam, sentiam a falta dos pais e da rotina
de segurança que existe no lar, porém, com todos os atrativos que uma
creche-escola possui nenhuma saudade era eterna. Da mesma forma acontece com os
pais, a saudade existe sim, mas o
trabalho acaba ocupando a mente até que seja hora de buscar o filhote na
escola.
Depois que cheguei a esta conclusão, comecei a pensar
no sentimento que os pais ficam ao deixar os filhos na creche-escola. Por este
motivo, pedi algumas amigas que passaram por isso recentemente para me contar uma pouquinho deste sentimento, vamos aos relatos?!
Raquel e Martina: “Nós procuramos uma escola porque
acreditamos que estava no momento dela ir e de conviver com os colegas. A gente
precisa deixá-la na escolinha, então temos que enxergar como uma parceira e não
como algo que não vai ajudar. A Martina ficou uma semana de adaptação que ia
aumentando gradativamente, começou com 30 minutos, depois 40 e 50 minutos. Depois da primeira
semana ela já ficou a tarde toda. Pra mim a adaptação foi muito tranquila, tem
mães que choram e tal eu não chorei porque estava certa do que estava fazendo,
estava tranquila porque sabia que aquilo era o melhor pra ela e como eu já
estava na função de colocar ela pra dormir no berço sozinha foi mais fácil e me
fez ser mais forte para passar por isso. A segurança é importante passar pra
ela, porque se ela não sentir confiança, ela não vai confiar no local e não vai
se sentir segura com as pessoas que vão cuidar dela.”
Renata e Moisés: “Quando resolvi colocar o Moisés
na creche foi porque minha mãe estava com um problema no ombro e não conseguia
mais pegar peso. Me doeu muito! O Moisés começou a adaptação próximo ao
carnaval, o que foi péssimo porque esse tempo maior de convívio comigo fez o
retorno dele na adaptação ser muito difícil. Já quase adaptado ele teve
rotavírus e teve que ficar afastado da creche por 15 dias, ou seja, tive que
iniciar a adaptação do zero. O pior nisso tudo foi perceber que ele usava o
choro para me convencer a tirar ele de lá e o pior ainda foi me controlar para
não ser convencida. Por mais que saiba que preciso fazer isso, que no futuro eu
vou me conformar com essa decisão eu sempre tenho a certeza que é melhor largar
o trabalho e cuidar dele em casa. Me cobro muito por deixar ele com pessoas
desconhecidas. Toda vez que assisto nos jornais crianças sendo agredidas em
creche eu começo a inventar um monte de desculpas para não leva-lo. Ainda sim eu vejo que ele desenvolveu muito,
que gosta das tias e já não chora mais.”
Mariana e Helena*: "A Helena foi para a escola aos 2 anos. Achamos que já estava na hora dela ir para a próxima escola e largar um pouco os laços com as vovós. Acompanhei a primeira semana de adaptação dela e foi tudo ótimo Como eu levava e buscava ela todos os dias a adaptação foi excelente, pois ela se sentia segura com a minha presença. Na segunda semana ela passou a ir na van e aí a coisa ficou mais complicada. Ela chorava e não queria ir e eu me sentia a pior mãe do mundo. Não podia mais me ausentar do trabalho e ela repetia: cola não, mamãe, cola não! Aguentamos firme e essa fase logo passou. Hoje ela está super adaptada, adora a escola, sempre tem uma novidade."
Mariana e Helena*: "A Helena foi para a escola aos 2 anos. Achamos que já estava na hora dela ir para a próxima escola e largar um pouco os laços com as vovós. Acompanhei a primeira semana de adaptação dela e foi tudo ótimo Como eu levava e buscava ela todos os dias a adaptação foi excelente, pois ela se sentia segura com a minha presença. Na segunda semana ela passou a ir na van e aí a coisa ficou mais complicada. Ela chorava e não queria ir e eu me sentia a pior mãe do mundo. Não podia mais me ausentar do trabalho e ela repetia: cola não, mamãe, cola não! Aguentamos firme e essa fase logo passou. Hoje ela está super adaptada, adora a escola, sempre tem uma novidade."
Carla e Miguel: "Resolvi colocar o Miguel na escola porque precisava voltar ao trabalho, mesmo antes de terminar a licença maternidade, naquela época ele tinha uns 4 meses. Como estava sozinha nessa jornada tive que encarar a realidade e voltar ao trabalho, não tinha outra opção a não ser o berçário. Pesquisei as melhores opções e não poupei nem 1 real para que ele ficasse numa boa escola. O início foi muito difícil porque ele ainda mamava no seio, tinha que ir a escola a cada 4 horas amamentar, era uma alivio ver meu filho e esvaziar os seios. Cada ida a escola era uma choradeira dele e minha. Foram uns 3 meses assim! Depois de um tempo tudo deu certo, ele ficava mais calmo nas minhas partidas e eu mais confiante na escola. Foi difícil? FOI! Foi a pior coisa do mundo? NÃO! Porque eu estava certa que era o melhor pra nós dois."
A adaptação deve ser vista como um momento de transição na vida da criança, da segurança do lar para o mundo desconhecido da escola. Por isso é muito importante visitar várias escolas, perguntar sobre a rotina, conversar com as professoras responsáveis, pesquisar na internet... é importante ter segurança com a escolha feita. Vale lembrar que nenhuma escola é perfeita e erros acontecem, desde trocar a chupeta até uma mordida de um amiguinho.
Quando os pais não tem certeza da sua decisão, quando a insegurança ainda assombra, vejo uma adaptação mais tumultuada, como muito sofrimento e lágrimas. Lembro até de alguns casos da minha época de estagiaria! Podemos perceber pelos depoimentos das nossas lindas mães que a segurança é base primordial nessa relação. Se os pais transmitem essa segurança para os filhos a adaptação acontece de forma mais natural, menos dolorosa eu diria.
E vocês mamães e papais, já se adaptaram a escola?
* Nomes fictícios!

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