domingo, 10 de maio de 2015

Um sonho de menina grande: ser mãe!

Desde que me entendo por gente tinha a certeza que um dia seria Mãe. Nos meus mais lindos sonhos eu era mãe de uma menininha linda, afinal de contas para uma mãe não existe filho feio. Sempre que podia colocava meu sonho em prática e carregava comigo minha “filha”. Uma boneca linda que eu batizei de Beatriz.Conversávamos muito sobre a vida, sobre os meus grandes problemas infantis, que se limitavam às minhas secretas paixões platônicas, brigas bobas com minha mãe e minhas irmãs e sobre o que eu seria quando crescesse.


O tempo passou e nem me lembro do momento em que me separei de Beatriz e fui ser quase gente grande no mundo real. Aqui no mundo real, hoje já como gente grande, sou Mãe de uma menininha mais linda do que a Beatriz e do que aquela que eu via nos sonhos, e toda essa lindeza não é só coisa de mãe, tá?! 

Não foi uma gravidez planejada, mas em momento algum foi indesejada. Antes de divulgar a notícia até mesmo para o pai, já tinha a certeza que daquele em momento em diante minha vida seria pra ela. Não sei se foi o estágio com a Beatriz, mas quando minha boneca de verdade chegou, parece que muita coisa eu já sabia fazer. Neste momento passei a acreditar naquela história de instinto maternal. 

Nunca entendi a linguagem de sinais, mas entendia todos os seus anseios, desejos e aflições sem que ela soubesse dizer uma única palavra. Suas expressões faciais e gemidos viraram uma linguagem mundialmente clara no nosso mundo composto por Mãe e Filha! Enquanto estava grávida, meu maior medo era não acordar à noite com seu chorinho, mas percebi que mãe nunca dorme de verdade, pois qualquer gemido era capaz de me despertar atenta e disposta para socorrê-la, ou simplesmente voltar a coçar suas costinhas para embalar novamente seus lindos sonhos de princesa.

Tive a sorte de estar disponível para me dedicar exclusivamente à minha filha até os 15 meses de idade, pois não estava trabalhando fora, mas sei que hoje em dia isso é cada vez mais difícil, pois as mães precisam trabalhar e essa primeira separação é dolorosa tanto para a mãe quanto para a filha. No meu caso mesmo tendo aproveitado um pouco mais, não foi diferente, mesmo com a tranquilidade de poder deixar com a vovó, sempre muito dedicada e com um amor tão grande ou ainda maior que o meu. 

Nessa volta ao trabalho, você se dá conta do quão SUPER é uma mãe! Você quer dar conta do trabalho no mesmo ritmo anterior, quer acompanhar a rotina e as descobertas do filho em casa ou na creche, quer suprir à falta que sentiram um do outro durante o dia, precisa cuidar dos afazeres do lar, administrar sua vida de um modo geral e por mais impossível que pareça, pode acreditar: você consegue, pois o dia de uma mãe parece ter 36h de duração!

Só parece, mas não tem!

Obviamente ela se cansa, ela se culpa, ela sofre, ela erra, pensa em jogar tudo pro alto pra viver só para o filho, mas é preciso seguir em frente. Nessas horas me lembro da Maria: “Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre...”.

Mãe, assim como a Maria, traz uma marca no corpo e consegue como ninguém misturar a dor e a alegria.

Essa questão da culpa é tão comum nas conversas entre mães, mas o consolo é sempre o mesmo: lá na frente seu filho vai entender todos os motivos pelo qual você não esteve presente ao seu lado em todos os momentos. E isso é bem verdade! Você tem todo o direito de se sentir culpada, só não pode passar isso para a criança. Ao invés de só dizer que faço isso pelo futuro dela, eu sempre digo à minha filha como é importante ela estar na escola, pra aprender e crescer junto com a tia e os coleguinhas. Acredito que assim ela sinta menos a minha saída.

Não estar presente, é bem diferente de ser ausente. Tem muita mãe que passa o dia em casa, abre mão da carreira por vontade própria ou por falta de oportunidade, mas não dá atenção para o filho, por falta de paciência ou qualquer outro motivo. Não importa o tempo que você tem com seu filho, mas sim o que você faz nesse tempo que tem.

A vontade de acompanhar os filhos mais de perto, tem aumentado cada vez mais o número de mulheres empreendedoras no mercado de trabalho, principalmente o informal. Basta ter alguma habilidade seja culinária, artística ou intelectual e começar a comercializar seu dom. O mercado de festas infantis é um bom exemplo disso, mas falaremos sobre assunto de forma mais ampla num post mais específico.

Um filho muda toda a vida de uma família: pai, avós, titios, irmãos, madrinhas, mas com certeza a vida que mais muda é a da Mãe e por isso é a mulher quem decide a hora de se tornar uma. O corpo muda, a cabeça pira e as prioridades então nem se fala.

E se o relacionamento com o pai da criança termina, ou nunca existiu de fato?!
Você vai continuar sendo mãe estando a criança morando com você ou não. Na nossa sociedade a grande maioria das crianças fica com as mães após a separação do casal, mesmo com a nova lei de guarda compartilhada, que diferente do que muitos pensam, vai muito além da questão de alternância de domicílio e ainda tem muito o que ser discutida para que seja bem cumprida.

Como mãe solteira, você passa de SUPER a MEGA, MASTER,ULTRA! Agora além de exercer seu papel de mãe, você precisa voltar a se relacionar com o mundo e isso não é nada simples. Por mais que digam que não faz diferença ter ou não um filho para se relacionar novamente com outras pessoas, digo com muita experiência que faz sim!

Existem várias novas questões na sua vida como mulher-mãe! O seu corpo mudou após a maternidade. Esse "grilo" é totalmente nosso, porque os homens mesmo nem ligam e existe só inicialmente, porque depois passa. Eu era super grilada com a cicatriz da minha cesárea e morro de saudades até hoje meus seios maiores e mais durinhos da era pré-maternidade, mas nunca deixei de me relacionar com ninguém por isso. É só uma questão de criar intimidade.

Você passa a ser mais criteriosa ao escolher as pessoas com quem se relaciona, afinal de contas você precisa saber bem quem vai frequentar a sua casa, pois sua filha está lá.

Você pode sim dar um beijos por aí sem compromisso, ter “peguetes” e paixonites passageiras, mas não deve envolver a criança nesses relacionamentos, pois confunde demais a cabeça dela. A melhor coisa a dizer nesses casos, é que é um amigo da mamãe e pronto. Na hora que você sossegar com alguém, não necessariamente se casar, aí sim pode fazer passeios, viajar, inserir o sujeito na vida criança de uma forma geral. Tem ainda a parte do tempo disponível para se relacionar. Você não é mais a gata livre leve e solta, que pode pegar a mochila numa sexta qualquer, se mandar pra um lugar paradisíaco com o gato e ficar off do mundo por uns 3 dias.

É preciso aprender a trabalhar com escala, vale-night, esse tipo de coisas! Para isso a compreensão do parceiro é fundamental, por isso não pode ser qualquer um entende?! Muitas vezes até com planejamento pode dar tudo errado. Se a criança ficar doente ou se o pai não vier buscar no dia combinado e você não tiver outra pessoa de confiança para deixá-la, já era a viagem a dois. Ou cancela ou acrescenta o "kit-gás" no passeio, ou seja: vão viajar os 3! Se houver parceria, tudo dá certo e acaba sendo até divertido!

A única certeza que tenho hoje é que não trocaria esse amor por nada nessa vida, pois sem dúvida alguma esse furacãozinho que invadiu minha vida e toma conta dos meus dias, foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida!
Essa certeza de não ser mais sozinha no mundo é o que me faz acordar todos os dias acreditando que sou capaz de ir além, de me tornar uma pessoa cada vez melhor, para de alguma maneira construir um mundo melhor para as próximas gerações!

Um dia lindo para todas nós que conseguimos transformar um sonho de menina em realidade, mesmo que nem sempre igual ao sonho original, mas da maneira como a vida nos presenteou, porque ser Mãe para mim já é o maior presente!


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